Dependência Afetiva
- Matheus F. Barbosa

- 17 de ago. de 2021
- 2 min de leitura
A dependência afetiva é um padrão de comportamentos similares ao de pessoas viciadas, dentro de uma relação. As pessoas com essas características tendem a ser inflexíveis e passam a emitir condutas disfuncionais advindas de distorções cognitivas que têm sobre si e sobre o mundo. Para resumir a teoria do modelo cognitivo que talvez você já tenha lido neste mesmo blog: nossos comportamentos e emoções são produtos de pensamentos automáticos que irrompem a nossa mente o tempo inteiro. Estes por sua vez, são frutos de coisas que acreditamos sobre nós mesmos, sobre as pessoas e o mundo exterior como um todo. E a lista dessas crenças aumenta conforme vamos interagindo com a vida e experienciando coisas novas. Esta dinâmica possibilita que interpretações não acuradas de algumas situações e crenças disfuncionais sejam responsáveis pelos comportamentos afetivo-dependentes.
Evidenciando um pouco mais as distorções cognitivas, podemos tomar como exemplo a nossa cultura que reforça positivamente comportamentos de controle e possessão sobre o outro. Isso se dá através do retrato nas mídias do “amor idealizado” e da normalização da obsessão e dependência exacerbada para com o par romântico. Associe estas mesmas vivências (enquanto exemplo) durante o nosso período de formação psicológica e teremos um comportamento disfuncional aprendido. Existe também a explicação que revela algumas pessoas como dependentes biológicos de neurotransmissores que são comumente relacionados aos encontrados no início de relacionamentos. Isso significa que o sujeito precisa desse estímulo neuronal aumentado para sentir-se confortável na sua relação com o outro, fomentando a patologia.
A característica principal de uma pessoa afetivo-dependente é a necessidade do outro para a sua regulação emocional, e neste sentido, existem duas vertentes de dependência. A dependência emocional refere-se à necessidade de uma ligação emocional com o parceiro, assim como deixa implícito certo senso de cuidado com o outro. Já a dependência funcional significa que uma pessoa se sente não capaz de cuidar de si, carecendo de outra pessoa para depender.
Os comportamentos são diversos, e até ambíguos. Os pacientes podem emitir comportamentos ciumentos, raivosos, agressivos, inadequados e possivelmente suicidas em situações extremas. Porém, existem também os que se comportam de modo a serem submissos, obedientes, frágeis e agradáveis a fim de evitar o abandono.
A terapia cognitiva pode intervir nesses casos possibilitando uma reestruturação cognitiva e identificando as principais demandas que favorecem a perpetuação dos comportamentos disfuncionais. O psicólogo irá bolar estratégias em conjunto do paciente para que aconteça substituição desse repertório por um mais adaptativo e saudável. Portanto, se você desconfia que pode fazer parte de uma relação afetivo-dependente, procurar ajuda profissional pode te favorecer.
Durante o processo psicoterápico, você será capaz de aprender como se tornar menos dependente tomando consciência da sua dependência emocional, ampliando a percepção do seu autocontrole, elaborando estratégias comportamentais para não reativar as cognições que possibilitam os comportamentos dependentes e aumentando a sua autoestima. Se puder, faça terapia!




Comentários